❝ Ela andava confusa, com um turbilhão de coisas rondando sua tão atormentada mente. Não sabia ao certo o que sentia, andava distante e solitária; mística. Dedicava seu tempo ao máximo a si mesma, mesmo assim ainda não se conhecia. Pretendia algum dia desvendar todos os mistérios do seu coração, mesmo sabendo que sempre viriam mais e mais sentimentos e problemas também para serem desvendados; mesmo assim, não desistia de tentar ao menos se entender, pois se não fosse ela, ninguém mais a entenderia. Ela ria, chorava, sorria, vivia, ela sentia ... ( Ana )
theme por umapequenapoeta, dtls negatividade e nostalgia-surreal.
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“Sofro por antecipação, morro antes de levar o tiro.”
Caio Augusto Leite    (via umapequenapoeta)

“Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.”
Clarice Falcão.  (via nostalgia-surreal)


“Almas cinzentas fitam-me. Pupilas dilatadas que absorvem desde as minhas mais profundas fendas. Dissecam-me com suas mãos vívidas e cujo odor espalha-se por todo o cômodo de nossa árdua relação; carne viva, agora morta. Enegrecida pela amargura do viver. Sangra, entretanto. Pois há essa ferida de sangrar, tal qual o coração bombeia-o, ainda que esteja as vésperas de sua greve indignada. Bombeia-o pelo corpo, explode todos os canais e obstrui as artérias de radiação. Vestígios de sua formação deformada; destroços em minha mente, granadas em meu estômago. Bomba. Precisão nuclear. Milhares de mortos, somente um. Genocídio desmesurado. Genocida genial, assassino eficaz. Não existo, não mais.
Reclamo minha liberdade, Vossa Graça. Não haveria ela de vir junto do final inescrupulosamente fadado, fardado? É o final, somente. Contente-se com sua prisão libertina em meio ao lamaçal de sua mente, pois insetos comem-te vivo. Aquelas palavras que grudavam-lhe o crânio não existem, tu não o faz. Restou tua sombra. Sombra esta impregnada no local de tua última prece silenciosa. Vestígios de algo, de alguém. Ninguém.”
— Caio Lobo (via entreversos)


“Quando você escreveu na palma da minha mão, eu sabia que iria sair. Mas as outras marcas, amor, vão ficar sempre aqui.”


“Eu bebi teu silêncio a tarde inteira e quis muito que você falasse, gritasse e tudo mais. Mas não, não havia o que falar. Tudo já fora dito, tudo o que você queria que eu soubesse. Mas eu sei que tem mais coisa aí quando você vira o rosto e tenta falar com a voz trêmula. Eu sei que tem mais coisa aí quando eu viro o rosto e choro sem querer que você veja. A gente sabe que ainda tem mais, nem que seja mais lá pra frente quando eu for mais livre e você ainda for você; sem nenhuma mudança.
A gente vai se esbarrar por ai e eu vou colocar a culpa no universo, eu vou querer te beijar e você vai me beijar; só porque tem que ser assim. Mas hoje, já não tem mais a gente… A culpa não é minha, nem sua; a culpa é do tempo que não soube esperar pra te trazer na hora certa.”


entreversos:

Tira de mim o que não é pra ser meu. Tira essa saudade tua, essa vontade de te acompanhar por onde você for. Tira. Tira essa loucura de querer ser sempre tua, tira todo o desejo que tenho de estar contigo, tira toda essa obsessão que tenho em te fazer feliz. Livra de mim esse querer que me deixa sem dormir, essas lembranças que me atormentam a todo instante, tira qualquer vestígio teu. Mas se preferir tira logo essa roupa e vem pra cá.



“Eu não poderia atravessar nenhuma estrada, sem antes passar pelo abismo da saudade e dar de cara com você. Não sou vidente. Nem alguém dotada de poderes paranormais. Entretanto, em meio aos rumores do meu amanhã, eu previa cada pegada naquele solo que só os céus sabiam de quantas lágrimas o regaram. Depois de abrir a cancela das minhas lembranças eu iria correr até os braços dela. Dela, meu Querubim. Meu par; quem baila junto comigo, quando a música só sabe cantar teu nome. Por dentro, nós iremos voltar no passado. Iremos chorar e continuar guardando o seu retrato mais bonito. Dias atrás, o retiraram da estante. Eu corri, tentando não tropeçar nos choros que não conseguiam se anular, e com a voz miúda indaguei o porquê. Se eu disser que não escutei nenhuma palavra da resposta, você acredita? Eu ainda me perco nos meus próprios devaneios. Ainda me perco em você. E depois de todos se acomodarem, com as mesmas conversas e as mesmas risadas, eu ainda vou ver a diferença. Enquanto os pequenos sujam as roupas que a mãe custou a passar, no chão sujo do lado de fora da área; enquanto o casal de namorados possessivos brigam mais uma vez; enquanto o mosaico da família se anela e se junta; ainda vai faltar a cereja do bolo. E eu vou arrumar os pratos pro almoço. Vou abraçar meu tio que mais parece um urso. E talvez solte até alguns risos baixos, porque inocência de criança, encanta o coração. Eu vou ligar pra uma amiga que vive a esperar uma visita. Vou mandar uma mensagem dizendo que está tudo bem pra minha madrinha. E eu sei que ela vai rir, sabendo que eu apenas estou fazendo cara de bonita. Eu sei que ela vai saber. Vou andar descalço porque você sabe que eu não sou dessas modas. E que logo, logo, eu vou querer tirar a roupa que hei de separar esta noite, só pra todo mundo dizer o quanto eu estou crescendo e amadurecendo. Vão perguntar do meu curso, do quanto a casa deve estar bagunçada e do porquê das minhas olheiras e das minhas pálpebras grossas. E você vai saber nessa hora, o quanto vai ser duro mentir que tudo anda bem e que são apenas insônias de noites de estudo. A pior inverdade ainda será a de que não está faltando ninguém. E em meio as risadas altas, os murmúrios sobre como o tempo vem derrubando as paredes dos dias e as crianças, crescendo mais do que o mato do quintal: eu ainda vou sentir. Como se em meio a toda festa, o aniversariante faltasse. Ou ainda, eu estivesse esperando o cara que encheria as bisnagas e faria aqueles desenhos que até hoje eu, sinceramente, não entendo. Como se alguém que ficou de trazer o bolo, tivesse engarrafado no sinal e faltasse cortar a guloseima mais excitante do evento. Eu ainda sim, não saberia a quem dar o primeiro pedaço.
Todos os meus, ficaram com você.”
— G.F.C.  (via entreversos)